Terapia da Utopia.

Hoje eu não queria escrever em metáforas.
Hoje eu só queria me deleitar de um prazer tão real quanto o meu desejo.
Hoje eu quero esquecer tudo o que não foi dito, tudo o que não foi vivido, e tudo o que não quero que seja esquecido.
Hoje, quando nem mais a utopia me pertence
Quando tudo o que ficou pra trás já não me preenche

Hoje, eu só quero mais poesia
Hoje eu só quero a minha poesia.


A la folie...pas du tout.



Os dias, mais uma vez, passaram a ser vividos com a ansiedade inconstante da pressa.
É um tal de idealiza fantasia daqui, realiza o que já é concreto de lá.
Virtualidade ou presença de fato, desejo ou coerência...
Ainda é o mesmo antagonismo, aquele que a psicanálise quase diria que Freud não deu conta de explicar, e Lacan ainda tentou, mas pela via psicótica.

É o meu medo que se concretiza, e, exatamente como imaginei: pouco depois de alguns dias de ilusão egocêntrica.
E sim, eu já sabia que nem sempre o "combinado" é o que deveria imperar,
Que o curso das coisas pode mudar completamente o previamente não-dito...
mas como eu seria previsível se isso não atingisse a liberdade nivelada que me controla e dita meus atos e atuações, como eu não seria eu!

Nesse momento eu mudaria o final da letra de Andrea Doria
Dormiria sem a solidão das horas
E faria outras pessoas lerem esse blog
...
Mesmo sabendo que a repetição viria tão excentricamente igual à de hoje
À de amanhã
À da próxima sessão de análise.

Meia noite.


Se existirem palavras mais duras e espinhosas do que "tortura" pra definir esse ritual, inventem no dicionário. Nada do que Chico cantou, nada do que Clarice escreveu pode traduzir com pobres associações de letras e ricas junções de palavras o aperto que me faz viva, quiçá o dicionário.

O meu divã imaginário talvez definiria como um passo importante na passagem do imaginário para a construção do real. Mesmo que por trilhas tortas e repetições abreviadas, o caminho nos leva a algum lugar, ao lugar do nosso desejo.

O meu olhar, meu corpo e minhas lágrimas hoje dizem que é Amor. Amor de verdade, daqueles que só de pensar já se sabe que nada no mundo vai conseguir definí-lo por si só, pelo que é, e pelo que pode se tornar.

Feliz aniversário, babe.

Acting out.

Nada humildemente, as metáforas se retiram do palco em que se apresentaram aqueles monólogos.
Saem não por querer, mas por pedido do diretor, o qual exalta sua impaciência com palavras que mais parecem querer ofuscar o tempo perdido.

Com elas, saem também os sinais, que contracenavam sob a luz ilusória do ocaso-acaso.
E também se despedem as cores, que só apareceram como coadjuvantes, quando era a distância que comandava o foco de visão dos espectadores.

Junto ao pó, resignaram-se no palco os lírios arremessados pela platéia,
Um barulho ensurdecedor de silêncio
E, principalmente, a memória dos que ali estiveram.