Em uma carta à Maria Adelaide Amaral, Caio F. inspira minhas veias imaginárias de poeta quando diz que "quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho."
Ele, ao mesmo tempo, me reforça o receio do processo de mudança, quando continua a mesma frase anterior dizendo "[...]e fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior."
Assim como Caio, percebo que os poetas, os verdadeiros poetas, persistem em usar a metáfora fantasiosa da contra-realidade pra justificar que a verdadeira inspiração (e felicidade disfarçada) só é concedida à base de muito platonismo.
Eu, em minha inferior e humilde posição de objeto desejante faltoso, sinto que os caminhos não se fecham aí; há um quê de mais-que-merda para a realidade sim. Basta tirá-la de seu pedestal de escolha hedonista e colocar de lado aquela velha mania de achar que o tempo vai girar ao redor só daquela poesia de outrora.
::: Trechos de Caio F. "roubados" da minha psicanalista blogueira favorita, Vanessa Souza Moraes, do Meu divã é na cozinha.




